É nóis, maluco

Olha, eu não sei como você caiu aqui. Mas já que tá, não custa um comentário p'ra deixa pegada forte na opinião do baguio. Suave!

domingo, 22 de abril de 2012

e no terceiro dia

essa força descomunal para abrir os olhos
a massa escorrida na suja cama
de colchão deformado
de sujos lençois
de cobertores rotos

o sol azedo lá fora
lá fora
passarinhos estridentes
dizem ser
vida

olhos aberto e:
a mesma mesa ao lado
o mesmo teto e suas teias de aranha
no mesmo canto

a mesma porta semi aberta
a mesma privada
o mesmo café
o mesmo pão amanhecido

bom dia

a mesma voz
o mesmo espelho
o mesmo cabelo emaranhado
de culpa
de ser o mesmo
de novo novamente o mesmo outra vez

domingo, 15 de abril de 2012

derreteu

derreteu
desenhou- se na terra de suor gente que era

jaz
consumido
tragado
carcomido
pelas terras de milênios

medo de que?

quinta-feira, 12 de abril de 2012

em frente ao império capital


ele e sua sanfona

ele sem olhos e sua sanfona

ele chapéu no chão e sua sanfona

ele sol na cabeça e sua sanfona

ele chuva e sua sanfona

ele noite e sua sanfona

quarta-feira, 11 de abril de 2012

batalha


de alma nobre
e armadura de ouro
precisão no manuseio da lança

companheiro estimado
cavalo branco

avança segue em frente
VAI!
olhos sangrando

(som de batalha)

chora a morte do cavalo
o cavalinho branco tombado
sorrindo
grandes dentes.

olhos de soro agora
do guerreiro

mãos sem luvas
acariciando
pêlo branco
do cavalinho

quarta-feira, 28 de março de 2012

cinzas

quarta de cinzas
não tinha que acordar
não fechara os olhos desde a tarde anterior

no bloco tradicional da cidade

cabelos emaranhados de confetes
sandálias prateadas nas mãos
pernas bambas de ressaca e
olhos que  não aceitavam o sol.


caminhava só
pés sujos tocavam o asfalto com indecisão



caixinha de música

com os pequenos dedos abriu a pequena tampa
deu corda àquela caixinha
e rodopiou com a bailarina

toda a alma do mundo estava ali
na mecânica das pequenas bailarinas.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

rua

miúdo em posição feto
preto sujeira na roupa toda
sangue de canto de boca babando calçada
vermelho concreto e cabeça e cabelo
gruvinhado

vivo ser humano? que ali babava
ar invadia pulmão sem nome
_ difícil que era_

quantos passos aqueles pés?
tingindo miséria?
pegando calcanhares?

denovooutraveznovamente
+1

indigente mendigo bêbado pedinte homem do saco negão
fedendo carniça
ameaçando criancinhas.



que língua era aquela que ele balbuciava enquanto morria?




quinta-feira, 17 de novembro de 2011

meu trator

eu tenho um trator
de rodas imensas e pesadas
e com pneus ásperos

que esmaga
que tritura

que lentamente
que devagar mesmo

espezinha
destrói
faz virar nada

o meu trator é foda com seu dono

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

copo vazio

vazio o copo
o espírito em gotas com sede
de peito cheio

vozes misturadas
baixa luz naquele canto
e como chumbo
o homem na cadeira



segunda-feira, 31 de outubro de 2011

o homem que viu a banda passar.

abriu a garagem.
a última vez que escutara o ranger da porta de aço havia dez anos.
estava tudo igualzinho. um pouco mais sujo.
caminhou com os dedos sobre os pedestais
tropeçou com sapatos de sério no tapete da bateria.
sentou-se ao piano e desafinou seu passado

sábado, 1 de outubro de 2011

TRIO DRAMÁTICO


TRIO DRAMÁTICO

de Marcos César Duarte


O projeto TRIO DRAMÁTICO estrutura-se na apresentação de 3 (três) espetáculos do autor
jundiaiense Marcos César Duarte na Sala Glória Rocha. Os textos escolhidos para essa mostra da dramaturgia do autor são: Estocolmo; A Casa das Armas Brancas; O Testemunho.

SINOPSE DOS ESPETÁCULOS


Estocolmo é a história de um psicopata que durante oito anos mantém cativa uma menina que foi raptada por ele quando ela tinha dez anos. Mantida em cativeiro durante muito tempo, a menina, ao final uma adolescente, não consegue se libertar, ficando impotente diante da liberdade.

A casa das armas brancas é a história de dois jogadores de pôquer. A recente perda da mulher de um deles o move a fazer uma última e definitiva aposta: esquecer o passado e a perda do amor. Aposta aceita, na melhor de três partidas um deles deverá executar uma espécie de ‘eutanásia’ promovendo uma ‘lobotomia’ no parceiro.

O Testemunho é a história de um homem cercado por vaidades e ambições e que, depois de uma transformação, descobre sua libertação tornando-se um pregador da palavra divina.





O Autor

O projeto TRIO DRAMÁTICO também presta uma homenagem a Marcos César Duarte. O autor possuí mais de 15 textos teatrais, sendo vários deles sucessos no município, como Memórias de Maria ( lotando por várias vezes o Teatro Polytheama), Maria e os Pacotes ( vencedor do Festival de Monólogos de Jundiaí/2006) e outros.
A convite da Secretaria de Cultura escreveu o texto “Viagem Fantástica ao Polytheama”. Neste projeto estudantes de várias escolas conhecem a história do glorioso teatro Polytheama e todas as suas dependências.
É um dos fundadores do NAC (Núcleo de Artes Cênicas), participando de vários projetos com este Núcleo.
Atua como professor de dramaturgia no Curso de Teatro da Casa da Cultura, onde apresenta textos consagrados à iniciantes na arte teatral.
Atualmente, faz parte do Estúdio de Dramaturgia da Cia Club Noir (tida como uma das companhias mais respeitadas de São Paulo).
Marcos César Duarte há trinta anos contribui com a cultura local e esteve sempre presente nas discussões a cerca da valorização da arte na cidade de Jundiaí.


Apresentar o autor em três diferentes textos -todos atuais- à população de Jundiaí é valorizar o artista e incentivar a aparição e a produção de novas dramaturgias em seus diferentes modos de construção.
Com a possibilidade da encenação, outras revelações artísticas são apresentadas: Os textos encenados contarão tanto com artistas reconhecidos na cidade, como também estreantes no palco revelados por cursos e oficinas da Secretaria de Cultura. Sendo assim, o projeto movimenta não só a dramaturgia, mas todo o processo teatral (atuação, direção, iluminação, sonoplastia, etc.).
TRIO DRAMÁTICO objetiva ainda o acesso da população a espetáculos produzidos na cidade. Discute com a platéia linguagens artísticas fora do eixo das "convenções dramáticas".

FICHA TÉCNICA

O projeto é uma realização da Cia Solo de Teatro e convidados.

ESTOCOLMO
Texto: Marcos César Duarte
Direção: José Renato Forner
Atores: Fernando Farias e Tamara Pereira
Música de cena: Dantas Rampin

A Casa das Armas Brancas
Texto: Marcos César Duarte
Direção: José Renato Forner
Atores: Tiago dos Prazeres, Ulisses Vertuan, Marcela Harano, Alice Angerame, Mau de Souza, Rodrigo Ferreira e Édipo Nascimento
Música de Cena: Dantas Rampin

O Testemunho
Texto: Marcos César Duarte
Direção: Mário Rebouças
Ator: José Renato Forner


CRONOGRAMA


6 de Outubro - Serão apresentados dois espetáculos: Estocolmo, às 19:30 com a platéia em cima do palco da sala Glória Rocha e A Casa das Armas Brancas, às 21h no palco da Sala Glória Rocha.

13 de Outubro - Serão apresentados dois espetáculos: Estocolmo, às 19:30 com a platéias em cima do palco da sala Glória Rocha e O Testemunho, às 21h no palco da Sala Glória Rocha

Obs. A escolha da platéia em cima do palco da sala Glória Rocha para o espetáculo Estocolmo é devido a concepção da peça. Cada apresentação terá capacidade para um público aproximado de 45 pessoas. Como são duas apresentações teremos uma expectativa de público de aproximadamente 90 pessoas.
Os espetáculos A Casa das Armas Brancas e O Testemunho serão feitas para a capacidade total da sala Glória Rocha (330).

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

SENHA


escadaria

CORREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

escadas de não fim

SUBINDO SUBINDO SUBINDO

+AR

falta de

+AR

mão na parede costas para frente ar expelido com desgraça

escorre sal pelo corpo pelo olho

sal caído nas escadas de não fim

mais degrau

mais um mais um mais um mais um mais um mais um mais

um

perna grande pula dois

se fosse

100.000.000.000 de degraus para

LÁ EM CIMA

“venha ver essas fotos!

olha você, bebezinho!

quem é esse?

eu tenho esse macacãozinho até hoje!”

CORREEEEEEEEEEEEE

velhos passos de pés rachados unhas

onimicose

oni o quê?

onimicose

onimicose

onimi o que?

onimicose

CORREEEEEEEEEEEEEE

coração bombando sangue de tudo cor quente da cor não suficiente

jeans gasto esfregando perna perna

barra curta cavalo apertado toda desfiada aos prantos

camiseta branca suor na graxa cor não suficiente

"minha senhora, ele vai precisar tomar cálcio. seus ossos não tem sustentação. vitamina D, fósforo, proteínas, vitamina K, vitamina C, magnésio e flúor, cumprem um papel importante para a saúde dos ossos. Bebidas como leite, certos sucos e bebidas de soja são uma maneira prática de obter nutrientes importantes para a construção dos ossos."

rastro fedor por onde passa

dor?

escada de ferro vermelho

quentiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinho

a cada passo

o degrau sorridente

recebe pés rachados

rachadura negra de pé sujo

de pisá em chão escarrado

pé piche de

CORREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

o cagado corre

o mijado corre

o suado corre

o dente podre corre

o bafo de onça corre

o perna torta corre

CHEIRO DE MERDA DE GENTE É PIOR QUE CHEIRO DE MERDA DE BICHO

boca aberta bueiro de dente carcomido mais aberta para mais ar+AR

+AR+AR+AR+AR+AR+AR

PULMÃO ESCROTO, MANDA MAIS AR!!

CORAÇÃO ESCROTO, MANDA MAIS SANGUE!

PERNA ESCROTA, FAZ O QUE EU MANDO!

FILHA DA PUTAAAAAAAAAAAAAAAAA!

"eu não lembro a senha"

" eu não lembro a senha"

" eu não lembro a senha"

______________________________________________________

viela

CORREEEEEEEEEEEEEEEEEE

viela estreita de portinhas estreitas de não fim

criança de chupeta cabelo emaranhado encostada na

madeira caindo homem sem camisa cerveja de pendura de bar

lá onde ontem 398 facadas foram ouvidas no último barraco

e vc?

“eu vou ser médico”

“eu astronauta”

“eu piloto de avião”

“eu veterinário”

“eu jogador de futebol”

“eu piloto de fórmula 1”

“ eu vou ser açougueiro”

RÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁ RÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁ

RÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁ

RÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁ

CORREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

chão de terra batida uma batida de rap uma batida de funk

mulher batida de homem a batida dos home

A CASA CAIU

ar + ar

bate o pé sujo com costume de pedra

braços 2 deles nadando no ar pegando impulso na

viela ladeira só sobe

114 marcado com tinta/ a vizinha 116/ a vizinha 118/ a vizinha 120

shortinho de carregar perninhas finas

camisa com brasão de seleção de abrigar esqueleto

boné do último não eleito de segurar piolho lendia e carrapato verme e bactéria e fungo e vírus e escorpiões e aranhas

no cabelo dele

12 anos desde nascimento corre só

CORREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

de porra corria

de feto corria

de recém corria

de nenê corria

de criança corria

CORREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

“ eu não lembro a senha”

“eu não lembro a senha”

“ eu não lembro a senha”

_____________________________________________________

campo

concentração

CORREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

sem dois braços corpo atlético

cabeça capacete em cima dela o helicóptero

mina no chão

BUMMMMMMMMMMMM

Sem dois braços é engraçado

CAPITÃO!

CAPITÃO!

CAPITÃO!

A matéria que mais gosto é português. Faço boas redações e minha professora diz que tenho talento para as artes. Meu passatempo preferido é ouvir músicas.

CORREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

Sem dois braços corre muito. Dita a carta para a família. Não pode pegar fuzil. Mas é útil no leva e trás de informações.

não fuzil não gatilho não dedo não mão não braço

Não!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

BUUUUUUUUUUUUUUMMMMMMMMMMM

arame enfarpado granada tanque submarino A6M Zero F-15 Eagle B2- Bomber F/A- 18 E/F Super Hornet sten mk lanchester browning m1919 F-22 Raptor Bell P-63 Kingcobra Submetralhadora Sten Ilyushin 11- 4 Morteiros Soviéticos Leves 203 Howtier Model 1931 (B- 4) Tank MK VI Crusader Theodor Bruno Kanone (E) Dodge WC5 4 Breda 30 BV 238

Smith & Wesson M1 919

CORREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

Uniforme lindo!

colete de peso de calça de peso de bota de peso de capacete de peso de pulmão de peso de superpopulação

peso de sol

bola quente o olho no meu corre

+AR +AR +AR +AR +AR +AR

do tropeço cara de terra

vermelhinha

cor terra

CAPITÃO! EU...

CORREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

Capitão, eu...

“ eu não lembro a senha”

“eu não lembro a senha”

“ eu não lembro a senha”


cadeira

cadeira rodas de não fim

CORREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

suado porco habita ela

porco de rodas

fede

fedor de rodas

cômodo sujo abismo de mal cheiro

banheiro de não descarga

pia de comida resto

moscas e baratas lá

sofá-cortina-tapete

tudo cinzeiro

fétido

comida bebida cagada mijada nicotina suada de rodas

tv fora do AR

CORREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

Oi. Tava te olhando de longe...

É?

Dança essa comigo?

Ela abaixou a cabeça e esticou suas mãos para que fosse conduzida por mim. Fomos para o meio do salão. A banda era demais. Ela não usava perfume, mas o seu cheiro era tão bom. Não nos olhamos em nenhum momento.

CORREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

depois dos 19 só roda

bunda gorda sentada

122 de gordura aqui rodas sujas

suado nela

chapado vinho de bosta chapado maconha de bosta

queda

AR

nível de pressão de 8 por 6

AR

8 por 6 queixo no peito

AR

vertigem

ar

a

r

SALIVA

êmese fecalóide

vomita bocas ouvidos nariz cu

vomita ratos baratas cobras

pardaizinhos

sempre assim

ele ser?

CORREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

fétido:

“ eu não sei a senha”

“eu não sei a senha”

“ eu não sei a senha”

__________________________________________________

Adágio

espelho que parado que

mostra que eu espelho a pele cinza

olheiras cinza lábios cinza

espelho

lá sou eu?

pertinho do nariz embaça

vivo?

rachadura de monte pelo de barba

um branco?

de ranger de dentes sorriso

de carie?

olho de par 2 deles

pregos grandes com ferrugem

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

jaz espelho de não reflexo

porque vermelho é todo olho

todo nariz

todo ouvidos

toda boca espuma vermelho

bolhinhas de ar?ar?ar?ar?ar?ar?ar?ar?ar?ar?ar?

num susurro de:

“eu não sei a senha

eu não sei a senha

eu não sei a senha”

fim